5 Arrependimentos nos Meados da Vida

Tenho uma sobrinha de casamento que eu amo muito. Conversamos sobre suas angústias na vida (que são muitas, por ser mulher, ter 23 anos e ser solteira). Sempre falo para ela o que eu fiz errado, na esperança que ela não repita os mesmos erros. Ela não vai, porque ela já é muito mais avançada e corajosa do que eu, mas eu reparo quanto isso faz parte do meu discurso.

Recentemente li uma lista de 37 coisas que se não fizermos, iremos nos arrepender. O que eu falo para ela é mais ou menos a minha lista. Aos 38 anos já sou velha o suficiente para fazer uma lista dessas?

Acho que sim.

5 Coisas Que Você Vai se Arrepender nos Meados da Vida
(ou pelos menos as coisas que eu me arrependo, e você possivelmente também)

1. O medo de ser vulnerável

Nossa, como isso me atrapalhou na vida! Para quantos caras eu não expressei minha atração, quantos eventos eu deixei de frequentar por estar sozinha, quantos momentos eu mostrei raiva quando na realidade eu estava triste? Perdi relações amorosas, amizades e oportunidades inúmeras vezes na minha vida, por não ter tido a coragem de dizer meus sentimentos. Gosto da minha vida, mas quem sabe o que eu perdi por não ser vulnerável.

O que eu diria para mim vinte anos atrás: Coragem não é a ausência de medo. Medo faz parte da vida e a dor é inevitável. Você é forte o suficiente para superar o medo e a dor. Prometo. Arrisque!

Como eu aplico isso hoje: Isso continua difícil para mim. A prática de submeter meus textos, receber rejeições e continuar escrevendo, me dá força para fazer o mesmo nos meus relacionamentos e minhas amizades. Rejeição não mata ninguém!

2. Ser desistente

Desisti de aulas de futebol, aulas de trombeta, aulas de esgrima e golfe e desisti da tropa de escoteira depois do primeiro ano. Amava basquete, mas desisti quando ficou muito exigente no colégio.

Nunca teria sido uma grande jogadora ou trompetista, mas perdi os benefícios que o envolvimento por um período extenso traz para a vida. Por exemplo, os benefícios de amizades profundas e da disciplina.

Sou uma pessoa com poucos laços afetivos. Sinto falta de uma comunidade ou uma rede de apoio. Não sou uma pessoa religiosa, envolvida com o esporte ou clubes, eventos que poderiam ter me trazido isso. Quando algo é difícil ou eu não quero fazer, falta disciplina para me impulsionar.

O que eu diria para mim vinte anos atrás: Faça alguma coisa, qualquer coisa, e dê o melhor de si. Não precisa ter domínio, sucesso ou reconhecimento no que você faça — só prazer (de vez em quando). Não desista, porque mesmo sem resultados impressionantes (prêmios, etc), existem benefícios importantes.

Como eu aplico isso hoje: Não desisto de escrever.

3. Não reconhecer a própria beleza

Quando eu olho para os diários dos meus vinte anos, fico constrangida. Pelo amor. Passei muito tempo, mas muito mesmo, anotando meu peso, quanto eu não gostava da flacidez dos meus braços e se alguém me achava bonita. Decidi me proibir de anotar essas informações. Infelizmente, eu continuo insatisfeita com meu corpo e não há um dia em que eu não pense no meu peso. Ao mesmo tempo, eu invisto muito pouco tempo em me sentir linda (no sentido mais profundo e significativo). Sem investir em mim, claro que eu vou pensar no que eu não gosto e como os outros me avaliam.

Eu acredito plenamente que temos que lutar contra os padrões sociais de beleza (e vamos ser sincero, são racistas e excludentes). Mas só rejeitá-los não é suficiente. Temos que fazer o trabalho duro de descartar os padrões sociais de beleza para criar nossos próprios padrões.

O que eu diria para mim vinte anos atrás: Sentir-se bonita não é egoismo ou vaidade. Ser linda nem exige dinheiro. Juro! Defina o que isso significa pra você, esquecendo os regimes, a moda e as “regras” sociais. Vai ser trabalho para o resto da sua vida e é um dos melhores investimentos que você pode fazer por si.

Como eu aplico isso hoje: Tento me esforçar de sair das minhas calças de treino e usar maquiagem, mas não consigo. O que eu posso fazer é usar protetor solar todos os dias e ter um corte de cabelo que eu gosto. Me esforço para comprar as roupas que eu amo (compro muito pouca roupa, por questões éticas e financeiras). Assim, nas raras vezes que eu saio dessas calças mega confortáveis, é para vestir algo que me faça sentir linda (na minha definição).

4. Não ter uma grande conquista

No ensino fundamental nos EUA é muito comum concorrer na feira de ciências ou no campeonato de soletração. Nunca participei. Também nunca corri uma maratona, subi uma montanha, ou mergulhei no fundo do mar. Não tenho uma grande realização na minha vida.

Eu acredito, que os momentos de vida que mais nos dão orgulho são os momentos que nos desafiam, que exigem muita persistência, resistência e coragem. Isso que dá uma grande conquista na vida. Acho que eu não tenho uma grande conquista na vida por ter medo (#1) e por falta de disciplina (#2). Mas não é tarde demais.

Simplesmente, preciso ter a primeira para conseguir as outras.

O que eu diria para mim vinte anos atrás: Escolha uma meta extraordinária e faça acontecer! Não se compare aos outros, não se preocupe com a rejeição ou o resultado. É a tentativa que vale a pena e mudará a sua vida.

Como eu aplico isso hoje: Tenho uma meta de escrever um livro de 80.000 palavras, até maio de 2017. Isso será minha grande conquista.

5. Ignorar o caminho

Fiz metade do Caminho de Santiago com minha mãe. Sabia pouco do que tratava a peregrinação e cheguei em Léon, com duas semanas disponíveis e uma meta: chegar em Santiago. No primeiro dia, machuquei meu pé. Andava mal humorada, estressada e com dor, enquanto minha mãe rodava com muito mais facilidade e alegria. Fui ao médico e ele falou que era um ligamento inflamado. Ou seja nada, quase nada.

Tinha que aceitar que eu não ia chegar à Santiago caminhando. Então comecei a prestar atenção ao meu redor. Larguei minha meta para aproveitar a vida. A dor diminuiu (um pouco) e conheci pessoas muito legais.

Acabei de falar de não desistir de suas atividades e escolher uma meta extraordinária. Agora estou falando que a meta não importa? Sim. Não. A meta nos motiva, da direção para nossas vidas, mas não é a meta que importa. É o que aprendemos, fazemos e nos transformamos durante a jornada que importa.

Não sei se eu vou conseguir publicar meu livro. E se eu não publicá-lo? Esses anos de vida foram um desperdício de tempo?

Se eu não valorizo o caminho, minha vida será uma perda.

O que eu diria para mim vinte anos atrás: Respeite seu medo, sem deixar ele te controlar. Desenvolva sua disciplina, mesmo quando você está com preguiça. Sonhe com algo grande, mesmo sendo impossível. Pense na sua meta e vá atrás, mesmo sabendo que o resultado não significa muito.

Como você vive seus dias é como você vive sua vida. Você pode sim ou não atingir sua meta, mas de qualquer forma você vai aprender alguma coisa e viver uma vida valiosa.

Como eu aplico isso hoje: Tenho uma declaração de fé. Eu tenho fé que o futuro é desconhecido e o que eu faço é suficiente. Se eu não publicar meu livro, terei orgulho de ter escrito ele e fé que o processo vai me levar para outras oportunidades.

Quais são seus arrependimentos e como você lida com eles?