Resenha: Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) e a invisibilização das mulheres cientistas

A proposta deste blog é compartilhar a incrível diversidade de ser mulher, e desafiar noções de que existe uma forma certa de se comportar, pensar ou sonhar como mulher. Acreditamos que as mulheres são igualmente capazes de qualquer tarefa ou ação, seja emocional, intelectual, espiritual ou física. A nova série do blog, #maismulheres, foi inspirada pelo filme Estrelas Além do Tempo.

Estrelas Além do Tempo é um filme que foi adaptado da proposta do livro[1] de Margot Lee Shetterly, “Hidden Figures: The Story of the African American Women Who Helped Win the Space Race”. O livro conta a história de vida de três matemáticas, Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que em 1961 trabalhavam no departamento segregado de computação da NASA.

O filme consegue equilibrar temas pesados (racismo, machismo) com a alegria e a genialidade dessas mulheres. A película é excelente e foi indicada para três Oscars. Além do valor de entretenimento (Estrelas Além do Tempo é o filme com maior bilhetaria entre os candidatos à melhor filme do ano), há três razões para assistir ao filme:

Inspiração! A história delas é a história de todas nós

Margot Lee Shetterly, no “Hidden Figures” (o livro) escreveu, “Eu comecei a querer algo mais para elas do que apenas documentá-las. O que eu queria era que elas tivessem a grande e ampla narrativa que mereciam. Não contada como uma história separada, mas como uma parte da história que todos nós sabemos.”

Isso é um dos motivos primários de sucesso do filme, de colocar essas mulheres no contexto da história e mostrar como elas influenciaram a história e eram influenciadas pela história. Entender que as mulheres fazem parte dos momentos mais importantes de nossas vidas pode inspirar outras mulheres à entrar em espaços e áreas que continuam predominante masculinas.

Katherine Johnson, que acaba de completar 98 anos, falou, “Assista com um jovem! Estrelas Além do Tempo vai dar uma visão mais positiva sobre o que é possível se você trabalhar duro, fizer o seu melhor e estiver preparado.”[2]

Solidariedade feminina

Não tem como assistir ao filme e não pensar como as amizades femininas são poderosas e importantes. Dorothy Vaughan, em particular, fez um esforço incrível, não só para garantir seu futuro profissional no meio de mudanças tecnológicas, mas o de todas as mulheres ao seu redor.

Essas mulheres conseguiram enfrentar tanto racismo e machismo no dia a dia, em parte por que tinham uma rede de apoio. Quando o atual discurso sobre amizade feminina é de competição e desgosto, faz bem ver o que é possível quando as mulheres se unem.

Racismo em tudo

Até hoje, quando pensamos em racismo, pensamos em violência, seja verbal ou física. Muitas vezes, inclusive numa época de racismo totalmente visível (com placas, nas leis, e nos espaços segregados), o racismo era cotidiano e estrutural.

Nenhuma vez no filme alguém é chamado por um palavrão ou uma ofensa racial. O policial no início do filme é uma ameaça por ser um homem branco, mas ele não faz uma ameaça explicita às mulheres. Quando Dorothy Vaughan não é promovida, ninguém fala que é por ela ser negra.

O racismo existia em tudo, nas ações, nos olhares das pessoas e até no silêncio de aceitar os maus tratos. Agora, 56 anos mais tarde, é fundamental sempre nos lembrarmos disso para conseguirmos enxergar o que avançou e o tanto que ainda falta para chegarmos na igualdade racial e de gênero.

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[1] O filme iniciou producação antes do livro ser terminado/publicado.

[2] http://www.latimes.com/science/sciencenow/la-sci-sn-hidden-figures-katherine-johnson-20170109-story.html

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Estrelas Além do Tempo
Heroínas inspiradorasRepresentativoInterpretações
4.7Valor Total
Por, Para, Sobre Mulheres
Diversidade
Precisão Histórica
Profundo
Qualidade
Votação do Leitor 3 Votos