Mulheres brasileiras nas exatas

Nos últimos 100 anos qual foi o maior avanço para as mulheres? O sufrágio? E nos últimos 50 anos? Métodos contraceptivos? Últimos 25 anos? Feminismo interseccional? Nos últimos 5? Ampliação de conceitos de gênero e representatividade?

A resposta depende de onde e para quem você faz a pergunta.

Cada elemento de identidade e o país de origem influenciará a noção de liberdade e avanço para cada mulher.

Então, e no Brasil? Para mulheres de várias classes, etnias, orientações sexuais, habilidades físicas, quais são os atuais avanços? Ou talvez seja mais importante perguntar: quais são as áreas mais resistentes à inclusão e ao reconhecimento feminino?

As áreas no Brasil que se destacam por falta da participação feminina são:

Na política — 10.7% no legislativo.

Em cargos de CEO — 11%.

Nas exatas — composta das áreas da computação, engenharia, estatística, física, matemática e química.

Inspirada pela estreia do filme “Estrelas Além do Tempo”, ao longo desse mês (e do próximo, dependendo do número de mulheres que participarem) o foco do blog será as experiências das mulheres brasileiras nas exatas.

Como elas se interessaram pelas exatas? Como elas mantiveram esse desejo? Quais são as profissões promissoras para uma mulher nas exatas? Como nós podemos aumentar o número de mulheres com a paixão pelos números?

Os números nas exatas

Você consegue nomear UMA matemática, física, química, engenheira, estatística, BRASILEIRA? Se não, em parte, é por falta de referências:

“Em 2012, apenas 14% das jovens brasileiras que entraram na universidade pela primeira vez escolheram campos relacionados à ciência, incluindo engenharia, indústria e construção” (fonte)

Predominância masculina nas bolsas de pesquisa:

Área Nº de Homens Nº de Mulheres Homens (%)  Mulheres (%)
Engenharia Mecânica 1675 272 86             14
Engenharia Elétrica 2873 420 87             13
Engenharia Naval e Oceânica 55 8 87             13
Engenharia Aeroespacial 143 41 78             22
Física 2809 706 80            20

 

“Elas representam apenas 5,1% das matrículas nas áreas de engenharia e 3,7% nas áreas de física, matemática e ciências da terra, segundo levantamento de 2011, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação.” (fonte)

“Mulheres são menos de 20% nos cursos de ciências exatas na USP.” (fonte)

“Levantamento de aluna do Poligen (Grupo de Estudos de Gênero da Escola Politécnica) apontou que, durante 121 anos, só sete mulheres negras se formaram na Poli.” (fonte)

#maismulheres 

A proposta dessa série é celebrar e reconhecer as conquistas das mulheres brasileiras nas exatas.

Se você acreditar que a representatividade feminina importa, apoie mulheres brasileiras nas exatas!

Você pode demonstrar seu apoio de várias formas:

  • Lendo as entrevistas (como da Tamires);
  • Compartilhando nas redes sociais;
  • Indicando mulheres nas exatas que você conheça para participar das entrevistas — quanto mais fora do “padrão”, melhor;
  • Falando para a sua filha, neta, sobrinha, afilhada, vizinha, amiga que a área de exatas é para ela, se ela quiser!

***