Escurecer: o mito da democracia racial

Muito se fala sobre o racismo, mas pouco se sabe sobre ele. Na verdade, boa parte da população acredita no mito da democracia racial, que pressupõe que nosso país é um país igualitário e sem problemas raciais. Isso não passa de uma tentativa falha de disfarçar a dura realidade brasileira, que mostra claramente como a descriminação, tendo a cor como justificativa, prevalece até os dias atuais.

Aqui no blog, Sheila, Nena, Ana, Renata e Buh falaram sobre as dificuldades de enfrentar racismo.

Realidade

Em uma pesquisa realizada pelo Datafolha, 91% dos brasileiros admitiram que existe racismo no Brasil, porém 97% não se identificavam como racistas. Onde estão então as pessoas que cometem crimes de teor racial? O brasileiro tem dificuldade em admitir tal posicionamento, pois tem consciência de que é errado, porém prefere apenas fingir a ter que desconstruir seu pensamento racista. Para manter a imagem de “homem cordial”, fingem não praticar o racismo e justificam com aquele velho clichê “eu até tenho um amigo negro”.

A sociedade brasileira apresenta uma grande dualidade em relação a brancos e negros. São problemas que vão do teor social ao econômico. Exemplo disso é que as mulheres negras são as mais mal pagas no Brasil, em contraposição ao homem branco, que recebe o salário mais alto. Isso não envolve apenas questões raciais, mas também de gênero.

Uma outra estatística que prova a péssima situação das negras no país é o fato de elas representarem 68% da população carcerária no Brasil. Os negros apresentam o maior número de analfabetos e são também minoria no espaço acadêmico (apesar do sistema de cotas). Que também é muito questionado e visto por uma parte da população como uma “vantagem” que é dada de forma injusta. Não entendem que as cotas são uma solução paliativa, ou melhor, é temporária e visa solucionar um problema pontual.

Como seria possível ter mais pessoas negras no mercado de trabalho sendo que não há quem os contrate, quem confie em seu trabalho?

Esses são apenas alguns exemplos, entre tantos outros que provam o quanto o país está longe da democracia racial e de gênero.

Identidade

Além de todos esses problemas, existe também a dificuldade em se aceitar como pessoa negra. Pois a sociedade ditou que para ser bonito é preciso ser branca, ter cabelos loiros e de preferência, olhos claros. Não existem estímulos a cultura negra, à beleza negra e por isso algumas pessoas relutam tanto em se assumir como negras. Por isso preferem se identificar como “pardos” ou “mulatos” e até mesmo “morenos”, o que nos leva a um outro problema de teor racial no país. O colorismo.

Esse termo se refere a forma de tratamento e inclusão na sociedade de acordo com o tom de sua pele ou com a espessura de seu cabelo. Em resumo, quanto mais traços afrodescendentes o indivíduo carregar, maior o preconceito e discriminação sofrerá. Essa é a prova mais clara da preferência por padrões europeus. Isso tudo em um país MULTIracial, onde a raça ariana é não apenas uma utopia, como chega a ser piada.

O movimento negro tem ganhado força, de forma lenta e gradual, mas o importante é que prossiga e que mude o atual cenário brasileiro que já está esclarecido o suficiente para compreender que é necessário escurecê-lo.

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