Seja ativa sexualmente com pornografia!

O que previne uma mulher de viver plenamente sua sexualidade?

A queixa principal das mulheres, relacionadas à sexualidade, é o baixo desejo sexual.

Pouco interesse em iniciar uma relação sexual pode ser relacionado com questões fisiológicas, há várias doenças e medicamentos que diminuem o desejo sexual. Mas, como a definição de sexualidade ilustra, fatores biológicos são apenas uma possível causa. As influências psicológicas, sociais, culturais e religiosas podem gerar esse baixo desejo sexual.

A Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista e obstetra, especialista em saúda feminina e sexaulidade, destaca que,

“o fator principal de tanta queda do desejo, é realmente porque a mulher é muito pouco ativa sexualmente, no sentido de estimular seu desejo. O homem faz muito isso, eles estimulam o desejo deles numa forma muito mais ativa. Eles sempre estão vendo coisas. A mulher, não. A mulher não pensa em sexo. A mulher acha que o desejo vai baixar do nada. [Existem várias razões para essa atitude] Não é da cultura feminina, elas têm medo de serem “pervertidas”. A sexualidade, a forma que ela é passada para as meninas, é uma forma muito mais castradora do que é passada para os meninos. Mulheres não têm essa postura mais ativa de ir atrás do seu próprio desejo. Melhora muito quando a mulher muda essa atitude de não ficar esperando baixar a vontade.”

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Seja ativa sexualmente!

Isso não necessita um aumento no número das suas relações sexuais. Isso requer entender sua sexualidade, para ter a liberdade real de escolher quando e com que você vai expressar ela. Isso significa…

 ser dona de si mesma, sem restrição, sem medo, sem culpa.

Ah, mas como?

  1. Estimule Sua Mente: Pornografia
estudio avela

Ilustração/Estúdio Avelã

A Pornografia é formada por “expressões escritas ou visuais que apresentam, sob a forma realista, o comportamento genital ou sexual, com a intenção deliberada de violar tabus morais e sociais.”[1]

Filmes/vídeos, escrita erótica, revistas com modelos pelados — tudo isso é pornografia.

Em comparação com os homens, as mulheres consomem menos pornografia, principalmente a visual. Mas, ao contrário de indicar uma distinção biológica, isso mostra de novo a importância das influências na sexualidade.

Léa Santana, pesquisadora sobre gênero e pornografia feminista, apontou no seu mestrado que “A pornografia sempre foi vista como um tema controverso, como uma forma suja de pensar em prazer sexual.”[2]

Além da vergonha que muitas mulheres sentem ao assistir pornografia, a indústria faz pouco para despertar o interesse das mulheres. Daniel Linares ressalta que nos filmes/videos pornôs, “o foco não é mostrar uma figura feminina sexualmente ativa ou trabalhar um desenvolvimento de sua sexualidade. Muito pelo contrário. Os vídeos produzidos são, em sua ampla maioria, degradantes para as mulheres.”[3]

No entanto, é possível achar conteúdo visual pornográfico produzido por e para mulheres.

Voltando para o mestrado da Léa Santana, “Na visão de McElroy (1995), “a pornografia e o feminismo são companheiros de viagem, e aliados naturais”, visto que ambos buscam desconstruir a ideia de que o sexo é necessariamente ligado ao casamento ou à procriação, e de que a mulher deve investir na sua sexualidade pelo prazer e autorrealização.”[4]

Além da pornografia visual, existe a escrita erótica. 50 Tons de Cinza foi nomeado o “pornô das mamães”, e vendeu 10 milhões de exemplares nas seis primeiras semanas de venda nos EUA[5]. Também gerou muito polêmica, por não ter uma protagonista que reflete uma sexualidade real.

Jarid Arraes, escritora de 25 anos, prefere os clássicos como Hilda Hilst, e percebe que o mercado brasileiro atual é muito voltado ao estilo de 50 Tons e as tendências norte-americanas.

Além de poesia, prosa e cordéis, Jarid escreve contos eróticos. Ela explica que a “escrita erótica é qualquer escrita que você expressa sua sexualidade. Erótica não é só sexo. Tem uma aura sensual, pode-se escrever uma mesinha de canto, numa forma erótica.

Ela se identifica como feminista, então ela não vai escrever “coisas que tenham um homem como dominador da relação e a mulher [submissa], como se eu tivesse sempre fazendo roteiro de filme pornô. O corpo já não é descrito naqueles padrões de, tem que ser magra, tem que ser branca. O sexo em si, também toma muitas outras formas, fica muito mais diverso. Toda mulher que escreve erotismo, principalmente a que publica poesia ou prosa erótica, já está no campo feminista, porque a gente é podada da sexualidade o tempo inteiro, então é difícil publicar coisas eróticas, porque você vai enfrentar muitos julgamentos.

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 Na sua casa, no seu quarto, não há julgamento. Assista. Leia. Se não existir algo do seu gosto, crie! Descubra seu jeito de ser ativa sexualmente.

Não duvide da sua capacidade de desenvolver sua sexualidade, ela é sua, esperando para ser plenamente vivida.

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Para mais informações:

Lista de fontes de pornô feminista para quem se interessa: “Onde Encontrar Pornografia Feminista na Internet

Jarid Arraes facilita um grupo de escrita para mulheres, com a proposta de apoiar mulheres que querem escrever, mas se sentem inseguras. O foco principal não é a escrita erótica, mas às vezes rolam temas mais picantes.

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Entrevistadas

dra carolina ambrogini

Dra. Carolina Ambrogini: ginecologista e obstetra, especialista em saúde feminina e sexualidade

jarid

Jarid Arraes: escritora, cordelista e autora do livro “As Lendas de Dandara

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[1] GREGORI, Maria Filomena. Prazeres Perigosos: Erotismo, Gênero e Limites da Sexualidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

[2] https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/18873/1/Dissertacao de Léa Menezes de Santana.pdf#page=21

[3] http://www.reporterunesp.jor.br/mercado-pornografico-apenas-se-feito-por-mulheres/

[4] https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/18873/1/Dissertacao%20de%20L%C3%A9a%20Menezes%20de%20Santana.pdf#page=42

[5] http://artsbeat.blogs.nytimes.com/2012/05/22/10-million-shades-of-green-erotic-trilogy-dominates-book-sales/?_r=0

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Correção: Dezembro 29, 2016

O texto original citou Pepita Martin Ortega como fonte da citação sobre o papel de mulheres nos vídeos de pornografia. O autor do artigo é Daniel Linhares.