O que é sexualidade?

Uma busca no Google traz mais de 8 milhões de resultados para a palavra “sexualidade”. É um conceito muito presente nos discursos de hoje, mas o que ela realmente significa? E isso faz alguma diferença em nossas vidas?

A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1975, definiu sexualidade como:

[…] parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso é a energia que motiva encontrar o amor, o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, na forma de as pessoas tocarem e serem tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e tanto a saúde física como a mental. Se a saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada como um direito humano básico[1].

Em 2006, A OMS revisitou a definição e publicou esse entendimento:

Um aspecto central do ser humano ao longo da vida abrange sexo, identidades e papéis de gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade é vivenciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relacionamentos. Embora a sexualidade possa incluir todas essas dimensões, nem todas elas são sempre vivenciadas ou expressas. A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, legais, históricos, religiosos e espirituais[2].

A primeira definição coloca sexualidade como uma necessidade básica e uma energia motivadora. A definição atual, mais elaborada e complexa, identifica uma conjuntura de fatores que modelam sua sexualidade, os vários elementos que ela engloba, e os diversos jeitos que ela se manifesta.

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Alguns exemplos das influências que configuram a sexualidade são:

Biológicas — “cada indivíduo tem um potencial biológico que o fará reagir aos estímulos eróticos”[3]; seu estado de saúde

Psicológicas — postura da família relacionada à sexualidade, se conversar ou não sobre o assunto; o medo de ser julgada* ;

Sociais — racismo, homofobia, sexismo e outros preconceitos

Culturais — o modo de pensar e agir de um determinado grupo;

Religiosos/Espirituais — crenças de o que é permissível conforme as regras e entendimentos da fé, achar que relação sexual é pecado vem de influências religiosas*.

 

Sua sexualidade abrange:

Erotismo — tesão, vontade de beijar, tocar, iniciar a relação sexual*;

Prazer — capacidade de sentir satisfação com uma relação sexual*.

 

E se manifesta em:

Pensamentos — capacidade de imaginar, elaboração mental[4];

Crenças — convicções religiosas[5];

Atitudes — reação ou ação em determinadas situações[6];

Valores — as coisas que dão importância: família, conquistar dinheiro, posição política*

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Mas… e aí? Isso importa?

SIM.

A sexualidade é influenciada por tudo e se manifesta em tudo o que fazemos!

Quanto mais entendemos nossa sexualidade, mais podemos ter liberdade sexual real — a liberdade de se conhecer e fazer escolhas com consciência plena.

Dra. Mirian, sexóloga, nota que, “há uma liberdade para se falar sobre o tema, mas não é tão discutido assim de uma maneira que as pessoas se sintam auto confiantes, com uma boa auto estima, de poder exercer essa sexualidade satisfatoriamente.”

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Em resumo… sexualidade é:

  • Sua genitália e sexo biológico;
  • Sua identidade e papel de gênero;
  • Sua orientação sexual;
  • Seus pensamentos e crenças;
  • Seu comportamento;
  • Seu auto estimo;
  • Seu desejo sexual;

Sua sexualidade é como você entende e interage com seu mundo!

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Entrevistada

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Mirian Lopes: Psicologa & Pós-Graduada em Sexualidade Humana

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[1] EGYPTO, Antônio Carlos. Orientação sexual na escola: um projeto apaixonante. São Paulo: Cortez, 2003.

[2] Sexual and reproductive health—Defining sexual health (tradução livre da autora)

[3] https://www.trocandofraldas.com.br/a-importancia-da-sexualidade-para-homens-e-mulheres/

[4] http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=pensamento

[5] http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=cren%C3%A7a

[6] http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=atitude

* definições construídas com a assistência da Dra. Carla (psicóloga social)