O que previne uma mulher de viver plenamente sua sexualidade?

Além de relatar baixo desejo sexual, as mulheres têm muito receio de conhecer o próprio corpo. “De acordo com a Pesquisa Nacional de Comportamento e Saúde Sexual da Universidade de Indiana, apenas 7,9% das mulheres entre as idades de 25 e 29 anos se masturbam de duas a três vezes por semana, enquanto a porcentagem de homens é de 23,4%.”[1]

A aversão a entender o corpo sexualmente, impacta o desejo sexual da mulher. Sua capacidade de sentir prazer vem de influências psicológicas, culturais e religiosas.

Peggy Orenstein, autora de Girls & Sex, diz que “a cultura popular e a pornografia sexualizam as mulheres jovens, criando uma pressão indevida para olhar e agir de forma sexy. Essas pressões afetam as expectativas sexuais que as meninas colocam sobre si mesmas e as expectativas que os meninos projetam sobre elas. Orenstein acrescenta que as meninas que entrevistava costumavam navegar entre serem consideradas “putas” ou “santas”, e que seus próprios desejos muitas vezes eram perdidos no meio. Meninas, diz Orenstein, “estão sendo ensinadas a agradar seus parceiros sem considerar seus próprios desejos.”[2]

É quase impossível para a mulher ser bem resolvida sexualmente sem se valorizar e se conhecer. Qualquer crença, medo, culpa que proíba o ato de se estimular, deve ser questionada. Não existe certo ou errado, existe sua interpretação das influências na sua vida.

Liberte-se das imposições dos outros e seja dona de si mesma, sem restrição, sem medo, sem culpa.

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 Ah, mas como?

  1. Estimule Seu Corpo: Autoconhecimento

A principal forma de estimular seu corpo é se masturbar, mas existem outras possibilidades, tais como a massagem tântrica e o pompoarismo.

Masturbação

O conselho mais frequente de médicos, sexólogas e educadoras, que trabalham com sexualidade feminina, é se masturbar.

Dra. Mirian escreveu um guia de masturbação e anotou que “A prática masturbatória tem-se mostrado eficiente para o tratamento de distúrbios ejaculatórios e das anorgasmias (não orgasmo). Ela (masturbação) possibilita que o indivíduo enriqueça suas relações sexuais, pois ao ter consciência do próprio corpo e de sua capacidade de resposta sexual, pode experimentar um crescimento e uma vida sexual bem mais satisfatória.”[3]

Inúmeras pessoas podem dizer que a masturbação é natural, saudável, importante, mas muitas mulheres continuam com vergonha de se tocar. Tudo bem. Não há vergonha em se masturbar, também não tem em não se masturbar.

Para quem não consegue se masturbar, mas quer desenvolver a sexualidade, pode começar olhando para sua genitália no espelho. Como é a textura, cor, formato?

Seu corpo é seu, tome posse dele de todas as maneiras possíveis, começando como você se sinta confortável.

Massagem Tântrica

A massagem tântrica é uma outra forma de conhecer seu corpo. Confundida com sexo, na realidade é um trabalho com uma proposta mais profunda do que excitar o físico.

Gavaksha, formado em massagem tântrica faz uma ano, entende que seu papel “é levar pessoas para um prazer que elas não conheçam” o que não significa apenas o orgasmo. A massagem não é sexual, é de sexualidade e autoconhecimento. É um momento pessoal, uma jornada interior.”

Suryachandva, atuou como advogada por 24 anos antes de perceber que ela não aguentava mais o estilo de vida que o trabalho exigia. Sua filha a levou para Metamorfose, e faz pouco tempo que ela se formou como terapeuta tântrica.

Ela entende a massagem como uma técnica libertadora, e antes de iniciar seu trabalho ela traz isso para as interações com as mulheres. “(Ao iniciar uma sessão) vou conversar com essa mulher para saber como foi a educação sexual dela, se ela foi muito reprimida, quais são as limitações dela, o que ela acredita. A maioria das mulheres tem muitos bloqueios, e esses bloqueios são devidos à uma educação sexual repressora que existe na sociedade.”

Muitas mulheres ficam com receio de tirar a roupa. Suryachandva observa que, “tem mulheres que vão à praia e põem um biquíni muito fininho, mas isso não é estar nua. Esse estar nua (na massagem) vai muito além de estar sem roupa. Quando a pessoa vem aqui, ela não está sem roupa, ela vai ter que deixar o ego e as expectativas. E isso é muito difícil.”

Pompoarismo

Muitas vezes o pompoarismo é vendido como ginástica íntima, e explicado simplesmente como exercícios que a mulher pode utilizar para aumentar o prazer do homem.

Para Salima, terapeuta corporal e renascedora, pompoarismo vai muito além dessa propaganda, e é “um caminho extremamente eficaz, para a mulher encontrar sua força e poder — esse tal de empoderamento que todo mundo fala. Eu defino pompoarismo como um caminho energético para o prazer, autoconhecimento e autossensibilidade da mulher.”

Ela enfatiza que pensar nessa, ou qualquer técnica, como um mero truque para aumentar o prazer do seu parceiro, é um pensamento limitado. “Quando o pompoarismo é para o outro, tem uma validade curta.” Ou seja, a mulher que aprende pompoarismo apenas para satisfazer um homem, desiste facilmente da prática.

É muito mais valioso pensar na técnica do pompoarismo como um investimento de tempo e dinheiro para uma busca pessoal, íntima e interna. Salima ressalta a importância de entender o pompoarismo como um recurso de autoconhecimento e avisa que as mulheres “podem usar sua energia sexual para muito mais coisa (do que para orgasmo)”. O intuito dos seus cursos é sempre mostrar que “ela (a mulher) pode muito mais do que ela acha.

O Pompoarismo é uma série de exercícios de contrair e relaxar a musculatura do assoalho pélvico[4]. “O treinamento aumenta o tônus muscular na região genital, ajudando em problemas como incontinência urinária e fecal; no prolapso uterino; em algumas infecções reincidentes; prepara o canal para o parto; contribui na recuperação pós-parto; combate o ressecamento vaginal, verdadeiro vilão para a pós-menopausa, aumenta a libido e facilita os orgasmos.”[5] Apesar de todos os benefícios, não é indicado para todas mulheres. Antes de começar a praticar qualquer atividade física, procura orientação de uma médica.

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Para mais informações:

Guias de Masturbação: Sexo Sem Duvida, Metrópoles, Sex is Pill

Pompoarismo: Cátia Damasceno.

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Entrevistadas

gavaksha

Prem Gavaksha: terapeuta tântrica, credenciada pelo Centro Metamorfose

suryachandva

Prem Suryachandva: terapeuta tântrica, credenciada pelo Centro Metamorfose

Salima

Prem Salima: terapeuta corporal e renascedora, credenciada pelo Centro Metamorfose

 

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[1] http://www.brasilpost.com.br/2015/01/31/13-razoes-para-a-mulher-se-masturbar-regularmente_n_6581600.html

[2] http://www.npr.org/sections/health-shots/2016/03/29/472211301/girls-sex-and-the-importance-of-talking-to-young-women-about-pleasure

[3] https://www.trocandofraldas.com.br/masturbacao-feminiana/

[4] http://emanuellebragafisio.blogspot.com.br/2011/06/conhecendo-o-assoalho-pelvico.html

[5] http://revistabemmulher.com.br/pompoarismo-do-prazer-saude/