FRIDA (2002)

FRIDA (2002)
Participação FemininaSujeito (Frida Kahlo!)Cinematografia
Superficialidade (diálogo, dor, etc)SotaquesMaioria dos atores, diretores, etc não é mexicano
3.6Quase
Por, Para, Sobre Mulheres
Acessibilidade
Diversidade
Preciso
Profundo
Prazeroso
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A exposição de Frida Kahlo, no Instituto Tomie Ohtake, atraiu 600 mil pessoas em 100 dias. Há vários grupos e indivíduos feministas que incluem seu nome para se identificar: Filhas de Frida (@filhasdefrida), Frida Feminista (@fridafeminista), Somos Todas Fridas (@somostodasfridas), Não Me Kahlo (@naokahlo). É inquestionável que Frida Kahlo é um ícone.

Essa resenha não tratará do porquê ela é tão famosa, mas sim da questão “quem era Frida Kahlo?”, e se o filme mais famoso sobre ela é preciso e faz justiça para tal ícone.

Uma vida de tanta grandiosidade merece um filme com a extravagância de Hollywood. O filme, Frida, cumpre esse papel. Selma Hayek personifica Frida com paixão e gentileza. As cenas—cores, texturas, sons—são marcantes.

O filme estrelou em 2002, realizado por Julie Taymor com o roteiro baseado num livro escrito por Hayden Herrera. Selma Hayek não só interpretou Frida, mas também era a produtora. Se esse nível de envolvimento feminino em Hollywood é raro hoje, era mais ainda há quinze anos.

Mesmo assim, o filme falha em alguns aspetos:

1) Os diálogos são superficiais. Em muitos momentos, em vez de deixar o ator e/ou ambiente transmitir uma emoção ou sensação, os atores falam coisas óbvias e clichês, tipo: “cuidado rapazes, este cadáver ainda respira” e “e isso foi seu presente de despedida? ” (quando a irmã conta que ela se separou do marido e sofreu agressão).

2) A sexualidade de Frida. Dá a impressão que a bissexualidade de Frida era algo para chamar a atenção de Diego Rivera (sua dança com Tina Moddoti inicia com um sorriso para ele, por exemplo). Não tem como negar que Diego era o foco principal na vida de Frida. A correspondência dela indica que ela esperava monogamia do marido, no entanto, quando isso não aconteceu, ela transformou sua sexualidade em uma busca de liberdade.

3) Os sotaques. Os atores, interpretando em grande parte Mexicanos, falam inglês (com sotaques mexicanos). Ashley Judd interpreta Tina Moddoti com um sotaque italiano horrível. Geoffrey Rush luta para falar inglês com sotaque Russo no papel de Trotsky. No caso de Diego, interpretado por Alfred Molina (um ator Britânico), o sotaque fica mais confuso ainda. Para quem foca mais nas legendas, espero que isso seja menos perturbador.

4) Fuga da dor profunda (física e emocional). Não há nenhuma indicação no filme de como ela sofria com questões de saúde antes do acidente (ela teve pólio com 6 anos) ou a dor imensa que ela enfrentou nos últimos anos de vida, quando ela tinha pavor de estar sozinha, estava viciada em morfina e tinha o desejo de se suicidar.

Em resumo: o grande poder de Frida como um símbolo é o fato de que ela era uma mulher tão complexa. Ela lidava com questões emocionais e questionava sua própria identidade (várias vezes ela fez comentários depreciativos sobre sua arte) e ela teve a coragem de olhar profundamente para si e se revelar para um mundo masculino, onde ela nem teve direito de voto (sufrágio no México só aconteceu a partir de 1947). O filme não captura a complexidade de uma mulher forte, frágil, libertada e submissa.