ELAS: Mulheres Artistas no Acervo do MAB

ELAS: Mulheres Artistas no Acervo do MAB
Entrada GratuitaTema
As ObrasInovaçãoDiversidade
2.7Tenta novamente
Por, Para, Sobre Mulheres
Acessibilidade
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O Museu de Arte Brasileira tem 2.850 obras no seu acervo. Dessa coleção, a arte de 64 artistas brasileiras foi escolhida para a exposição “ELAS: Mulheres Artistas no acervo do MAB”. Não sou crítica de arte e tenho pouco conhecimento das mulheres responsáveis pelas obras que estão em exposição. A resenha trata a experiência holística de estar no museu e minhas impressões como amadora.

Logísticas

A entrada no MAB é gratuita. Para quem vem de carro, o estacionamento custa R$30. Fui num domingo às 11h30, e teve amplo espaço para estacionar, sem custo, na rua. O zelador do condomínio vizinho afirmou que é seguro deixar seu carro na rua. O museu fica próximo ao estádio do Pacaembu e é acessível pelo transporte público.

Na entrada, existe um detector de metais. Quando eu entrei, ele apitou, mas não tinha funcionário para me revistar ou impedir minha entrada. Não é permitido filmar ou fotografar no espaço. Há um guarda volumes, loja e sanitários. No local, não há um restaurante, mas a região ao redor é cheia de restaurantes (caros).

A exposição fica na Sala Annie Álvares Penteado, ao lado direito da entrada, mas não tem uma placa de identificação (ao contrário da exposição de Raimundo Cela). A sala é um grande círculo, com paredes e tapete na cor preta. No meio da sala, tem um mural com gravuras, serigrafias, litogravuras por um lado e a fotografia e multimídia no outro lado. A maioria das 82 obras está pendurada na parede que cerca a sala. No espaço entre a parede da sala e o mural no meio, as esculturas estão montadas. Tem uma mesa denominada “espaço educativo” onde há cartazes com informações e quebra-cabeças das obras.

Impressões

O informativo sobre a exposição na entrada constata que: “Foi a partir do Modernismo que se acionou a participação feminina na história da arte brasileira. Até então, praticamente desconhecidas e veladas, as mulheres artistas ficaram relegadas a amadoras em razão de determinismos biológicos, preconceitos sociais de gênero e da ausência de oportunidades e de reconhecimento por parte das instituições e suas práticas. ” Conforme essa informação (não posso dizer se é a verdade ou não), essa exposição destaca um momento essencial na histórica de artistas brasileiras. Não vi mais de 5 visitantes no tempo em que eu estive lá. Por que a exposição de Frida Kahlo atraiu tantas pessoas (600 mil) e essa exposição não?

Acho que é a questão das obras, organização e informação.

As obras, com certeza, não representam o melhor trabalho das artistas na exposição. “O Sapo” (uma das obras na exposição) de Tarsila do Amaral tem um sentido político e histórico, mas a obra em si é pouco impressionante. Tarsila tem obras muito mais marcantes (tipo, A Cuca) . Minhas obras favoritas na exposição (Santuza Andrade—Sem Título, 1970 e Marina Caram—Homem do Campo, 1955 e Anna Luiza Bellucci—Sem Título, 1980) ficam obscuras na montagem do espaço. (Todas as obras ficam diminuídas num espaço de escala tão grande e escuro).

Devido às limitações do acervo (que aparentemente consiste em obras menos sofisticadas e conhecidas), era necessário ser mais inovador: fazer uma exposição mais interativa e/ou com mais foco no processo de algumas mulheres. Essas mulheres simplesmente responderam à história ou houve uma agitação para a inclusão delas? Qual foi o impacto sobre o trabalho? Quais foram as consequências? Não existe essa informação dentro da exposição. Atualmente, nem as obras, nem as artistas envolveram o público.

Também, notei a falta de discussão sobre raça na exposição. No país com a maior descendência africana do mundo (fora dos países africanos), é uma omissão inaceitável. Como eu falei, tenho pouco conhecimento na questão das artistas brasileiras, mas tive a impressão que não há artistas afro-brasileiras na exposição. Pesquisei trinta nomes, e todas eram brancas.